Aumenta a profissionalização em empreendimentos familiares

04 de Aug de 2014

Categoria Societário

Cada vez mais, as companhias familiares querem afastar o estigma resumido no ditado: “pai rico, filho nobre, neto pobre”. A fórmula para evitar esse destino é adotar práticas profissionais de gestão dentro desses grupos. De acordo com especialistas que acompanham a questão, essa consciência vem, gradativamente, sendo inserida nas companhias brasileiras.

“A profissionalização não é tirar as pessoas da família da gestão”, argumenta o empresário e diretor do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), Sérgio Fleck. O dirigente também é graduado e pós-graduado em administração de empresas pela Ufrgs e possui extensão qualificada em Family Business pela HSM/Pucrs.

Conforme Fleck, a profissionalização significa preparar e desenvolver as competências dos indivíduos para que atuem melhor e tenham mais alinhamento, qualificando o processo do negócio. O empresário ressalta que essa meta deve ser imposta, independentemente do grau de parentesco ou proximidade dos envolvidos, sejam filhos, sobrinhos, genros ou outros. O diretor do Setcergs acrescenta que, em tese, o que deve determinar as responsabilidades na empresa familiar é a competência do profissional, no entanto, muitas vezes, isso não ocorre.

A sócia-fundadora da Posterità – Formação e Consultoria a Negócios Familiares, Patrice Gaidzinski, enfatiza que mais do que nunca a busca por uma carreira passa pelo reconhecimento da ambição pessoal do profissional. “O melhor gestor de uma companhia é aquele que tem habilidade, competência e ainda o orgulho e o prazer de estar no empreendimento”, aponta. No entanto, a integrante da Posterità frisa que é necessário avaliar a motivação e o real desejo em desenvolver determinadas habilidades para não forçar um filho, por exemplo, a exercer alguma atividade na organização que não faça sentido na vida dele.

Patrice destaca que atualmente as opções para os jovens são imensas. Se houver interesse em seguir a vida profissional dentro da empresa da família, a especialista defende que o indivíduo precisa ser preparado para se tornar um gestor do negócio. “O melhor membro da família é aquele que amplia a habilidade de liderança e a partir daí consegue ter excelentes funcionários.”

A especialista ressalta que a informalidade da relação entre um pai e o filho é uma das maiores causas da dificuldade quanto à organização da empresa familiar. A sócia fundadora da Posterità adverte que quando a companhia não organiza as suas estruturas quanto à relação com os parentes, olhando para eles de igual forma com que vê os outros funcionários, pode haver conflitos. “A grande questão é profissionalizar a família”, conclui.

Parentes precisam estar preparados para a herança

Mesmo que os jovens não queiram atuar na gestão do empreendimento familiar, eles ainda precisam ser trabalhados para serem possíveis sócios, na condição de herdeiros, diz o advogado e sócio-fundador da Robert Juenemann Advocacia Empresarial e Familiar, Robert Juenemann. “Nas empresas familiares, há uma característica especial que é a de não se escolher os sócios, que são formados pelos laços de sangue”, sustenta o advogado.

Uma sugestão de Juenemann é fazer a identificação, sem envolver nomes, dos requisitos que cada uma das funções na companhia exige para depois avaliar se os familiares têm vontade ou não de trabalhar no negócio e se atendem às condições necessárias para exercerem os cargos. Segundo Juenemann, a adoção da prática de boa governança também envolve a separação do papel da pessoa como parente e como profissional. O advogado explica que os assuntos da empresa devem ser tratados no âmbito da companhia e em casa os temas a serem discutidos devem ser os de família. “O diálogo é uma ferramenta fundamental”, conclui Juenemann.

Fonte: Jornal do Comércio - 04/08/2014